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Concurso

Dicas para não se enrolar no Inglês

Seja na “night” ou na “web”, o Inglês está cada dia mais presente no nosso cotidiano. Já existem vários métodos e materiais para encarar a famosa língua do Tio Sam nos concursos. O grande diferencial na hora de aprender é a vontade e a disposição que o aluno tem para se focar na disciplina. Com esses fatores, as chances de um bom rendimento são enormes. “Eu sinto que se o aluno estiver caminhando bem nos seus estudos, ele sai da prova melhor do que entrou. Ou seja, a prova passa a ser um aprendizado, já que acaba aprendendo muito com ela”, afirma a docente.

Muitos ícones norte-americanos e frases de efeito “gringas” são conhecidas pelo Brasil. A mais famosa delas não escapou quando o autor da série de livros “Inglês para concursos”, Carlos Augusto Pereira, explicou com que pensamento desenvolveu o material. “A meu ver, um livro didático voltado para concursos pode ter diversas características, dependendo do exame a que se destina, e, naturalmente, dependendo do estilo do autor. Porém, me parece que o concurseiro espera que todo livro preparatório seja essencialmente prático, tendo em vista que nenhum candidato tem tempo a perder. É, certamente, a área do ensino onde fica mais apropriado dizer: ‘Time is Money’ (Tempo é dinheiro)”, cita a famosa frase de Benjamin Franklin.


A FOLHA DIRIGIDA entrevistou professora Cláudia Menezes para esclarecer as dúvidas dos candidatos e tentar acabar com o medo que muitos têm quando vêem que o Inglês vai ser cobrado nas provas do concurso.


FOLHA DIRIGIDA – Como o Inglês é cobrado pelas bancas do concurso? Qual é o nível de exigência delas?
Cláudia Menezes –
Isso depende da banca. No meu caso, a minha experiência é com a banca da Cesgranrio porque, no Múltiplus, eu preparo mais os alunos para BNDES e Petrobrás. Ultimamente essa banca tem elaborado provas muito interessantes com temas super atuais. Em 2010, os textos tinham alguns termos técnicos e isso assustava um pouco os alunos, mas este ano, por exemplo, os textos se mostram bem interessantes, fazendo com que o aluno entenda facilmente. Até mesmo aqueles que não têm muito conhecimento conseguem ter um entendimento favorável. Talvez ele não tenha um desempenho tão bom quanto os outros ou vá gabaritar a prova, mas consegue se situar bem no texto. Então, como os textos têm sido sobre temas atuais, o aluno deve estar acompanhando diversos assuntos mesmo que em Português, porque o conhecimento prévio é de grande valia na hora de fazer a prova. Isso faz com que o candidato já tenha uma ideia de qual assunto está sendo abordado.

Como a sra. trabalha a disciplina nas suas turmas voltadas para concurso?
Eu trabalho com Inglês instrumental. Então, foco na estrutura da língua. Quando estou dando aula, devido à diversidade de conhecimentos que eu encontro dentro de uma turma, vejo que muitos não sabem como funciona a estrutura de uma palavra. A partir da minha aula, eles começam a aplicar essas regras e técnicas de formação e isso faz com que eles tenham um êxito muito maior. Aquele que está caminhando consegue se achar, fica feliz por conseguir entender facilmente o texto… E quem já tem um conhecimento se sente muito seguro e gabarita a prova, pois já conhece a língua, e ganha a ideia de como as palavras são formadas.

Poderia dar um exemplo de como isso acontece em sala?

Há uns dias, eu comecei uma turma trabalhando os verbos modais, que a Cesgranrio costuma cobrar, e perguntei o que significava “Water”. Todo mundo, desde aquele que tem um nível mais alto até o de nível mais fraco, me respondeu “água”. Quando eu coloquei no quadro “I can water the plants” (Eu posso molhar as plantas), o verbo modal modificou o principal e eu já tinha explicado isso antes. Na mesma hora um aluno disse: “Ah! Então a água vai passar a ser verbo, não é professora?”. E sim, depois de “can” tem que ser um verbo. É nessa linha de pensamento que eu trabalho.

Os cursos de Inglês possuem uma dinâmica para ensinar o idioma. Logo,alguns alunos tendem a seguir esta forma na hora de estudar para a prova. De que maneira o candidato que já fez ou está realizando um cursinho pode deixar de lado este modelo tradicional e encarar essa outra forma de estudo voltada para concurso?
Estudando para concurso o candidato deve ter um olhar diferente do que ele tinha quando está estudando em um cursinho de Inglês. É outro foco. Para o concurso ele vai se voltar para as regras de estrutura frasal, de sufixação e prefixação. Assim, quando for trabalhar com vocabulário, que a Cesgranrio gosta muito, e com expressão idiomática, ele vai ter maior facilidade. A banca pergunta, por exemplo, o que a palavra X no texto poderia ser, o que tem como sinônimo ou antônimo. Ela gosta de trabalhar com isso. Essa banca quer testar a capacidade do aluno de conseguir trazer essa informação e jogá-la no texto. É isso que eu também tento explicar: a própria banca te dá a informação de que você precisa. Então, basta pegar esse elemento e aplicá-lo no texto, ver se bate ou não, se faz sentido… Se não bater, está errado…

Como os seus alunos lidam com termos técnicos, já que estes não são encontrados em dicionários?

A Cesgranrio, quando está fazendo um concurso, geralmente, agrega várias carreiras; Administração, Direito, Tecnologia da Informação, Engenharia, dentre outros. Quando isso acontece, o texto de Inglês é único para todos… Então, ela não pode colocar texto técnico de uma dessas áreas para todas as outras. Por isso, a banca prefere ter assuntos atuais, como meio ambiente, vazamentos, ou mais voltados para o órgão que ela está organizando a seleção. Agora, quando a prova é para uma especialidade, sim, eles colocam assuntos relacionados àquela especialidade. Quando isso acontece, os alunos já conhecem os termos técnicos por serem da área. Eu não tenho problemas nas minhas turmas com esses termos e, muitas vezes, eles até me ensinam. Quando eu dei aula em faculdade para Tecnologia da Informação, me deparei com o termo “bus”, que para mim e para todos aqueles que não estão por dentro dessa área quer dizer ônibus. Porém, na linguagem deles, se não me engano, quer dizer ‘barramento’, e eu não tinha ideia disso.

E sobre algumas palavras e expressões que podem ganhar duplo sentido? Como lidar com essas questões?
Na verdade, o que mais dificulta é se tiver uma expressão idiomática. Várias vezes elas têm duplo sentido e o mais conhecido não se aplica na frase. A primeira coisa que vem à cabeça de quem não tem muito conhecimento é traduzir ao pé da letra, o que não vai fazer sentido. Nessas horas, a melhor saída é ver pelas opções que a banca está dando. Quando dou essas questões em sala eu aproveito para pegar aquelas pessoas que estão lá embaixo e passar conhecimento. Claro que também trabalho o ‘skimming’, o ‘scanning’, os quais são técnicas de leitura. No ‘skimming’, por exemplo, você pega a ideia central do texto, que durante a leitura dele e até das questões, você já tem mais ou menos uma idéia do que o texto está falando. Eu trabalho tentando ajudar a todos, independentemente do nível em que o aluno esteja.

Por que, atualmente, o Inglês está se tornando uma matéria fixa no conteúdo programático de grande parte dos concursos?
O Inglês é uma ferramenta que te leva a outros saberes. Então, se você sabe Inglês pode ler sobre qualquer coisa e buscar diferentes conhecimentos. Muitas vezes você não tem artigos sobre certos assuntos em português. Ou porque ainda não foi traduzido ou ainda não tem ninguém especializado naquela área para escrever sobre aquilo ou fazer uma tradução bem feita. Então, acho que é por isso que os órgãos estão cobrando. Já que ao saber o Inglês você abre portas, começa a transitar, acessa qualquer site, obtêm a informação de que você precisa rapidamente e não fica pensando: ‘agora não dá porque isso está em Inglês e eu não sei ler’. No caso do concurso, apenas a habilidade na leitura é exigida. O aluno quando quer aprimorar procura um curso onde vai aprender habilidades como escrever e falar. No concurso ele só precisa ler. Tudo muda com uma velocidade muito grande e ter uma bibliografia super atualizada em Português é difícil. Já em Inglês, o candidato encontra artigos sobre qualquer assunto. O indiano escreve em Inglês, assim como o chinês, o alemão e pessoas de qualquer outra nacionalidade. Acredito que é por isso que o Inglês, hoje, aparece com mais frequência nos concursos.

Diante de tantas disciplinas para se dedicar, qual é a melhor forma de elaborar um plano de estudos do Inglês?
O ideal é, todo dia, ler alguma coisa em Inglês. Primeiro começar até lendo os textos de um curso que está fazendo, por exemplo. Aqui no Múltiplus, nós temos de quatro a cinco encontros, dependendo do módulo, neles você tem, no mínimo, uns 10 textos que eu trabalho em sala. Então, a pessoa deve começar lendo e relendo esse material diariamente. Assim, ela acaba adquirindo vocabulário e aumentando a sua bagagem lexical que, a partir desta iniciativa, só vai ampliando. Esse tipo de conhecimento é como uma mola; você começa com um pouquinho e chega uma hora que ninguém vai te segurar. Além disso, os candidatos devem conhecer as provas da banca. Algumas pessoas têm uma bagagem em Inglês, mas não conhecem o tipo de prova que vão fazer e acabam não se saindo tão bem, justamente por não saberem como a organizadora trabalha. Há questões que podem ser feitas com muita rapidez, mas é preciso dedicar um tempo para estudar assuntos como os verbos modais. Diversos conteúdos aparecem com muita frequência. E se possui conhecimento, rapidamente o concurseiro resolve as questões.

Qual tipo de material aqueles que não estão fazendo um curso devem procurar?
Para aqueles que não sabem muito e não estão em um curso, a melhor forma de encontrar os textos ideais é pegando as provas anteriores e observando as suas fontes. Por exemplo, muitos dos textos que a Cesgranrio trabalha são da “The Economist”. E a “Carta Capital” traz esses artigos em Português. Eu sempre falo para eles lerem a “Carta Capital”, que é uma boa referência para se familiarizar com o que está acontecendo por aí e assim, quando eles começarem a pegar os textos em Inglês, vão ter um conhecimento prévio. Isso é muito importante, porque pegar um texto em outra língua e não saber do que ele está falando dificulta tudo.

Quais assuntos mais aparecem nas provas de concurso?
A parte de sinônimos e antônimos, trabalhando com a formação de sufixos e prefixos e marcadores de discurso. Esses ‘linkers’, que são os marcadores de discurso ou palavras de ligação, são muito importantes porque introduzem ideias. Se você não sabe o que elas estão introduzindo, não tem nem como se orientar no texto. Então, é importante que aqueles que estão estudando, principalmente os que têm pouco conhecimento, invistam um tempo e façam um esforço para dominar esses assuntos. O processo de formação de palavras, com fixação e prefixação, é um grande trunfo, porque reconhecendo como as palavras vão sendo formadas, o candidato ganha muitos pontos entendendo a movimentação de sufixos e prefixos. A estrutura frasal também é muito importante, já que as palavras vão mudando de posição e, consequentemente, de significado.

Qual parte do conteúdo de Inglês que possui maior índice de erros?
Acho que as pessoas erram mais na hora de interpretar o texto. Ele é, geralmente, muito longo e o candidato tem que ler tudo aquilo. Aqueles que não têm muito conhecimento acabam errando devido a isso. Então, acho que o erro acontece com maior frequência nas questões que exigem a interpretação. Os alunos têm que manter uma disciplina. Não é porque um concurso acabou que ele tenha que deixar a matéria de lado. É necessário continuar estudando. Como? Investindo no vocabulário, principalmente aquele que não tem muita base em Inglês. Porque é o vocabulário básico que dá o “upgrade” para alcançar outros níveis

Muitos candidatos não encaram bem as línguas estrangeiras. Para quem não conhece, o Inglês pode ser bem assustador. Qual é a melhor forma de ultrapassar este bloqueio inicial?
Primeiro eu mostro que existe um ‘esqueleto’ e que, ao seguir isso, o aluno começa a ficar mais relaxado, porque muito dessa barreira que ele tem é por não entender como as coisas funcionam. É isso que eu tenho que passar para ele; que tem uma estrutura e que se ele a respeitar, souber encontrar e encaixar esses elementos, não terá mais tanta dificuldade assim. O aluno que não conhece muito o Inglês vai gastar mais tempo para deduzir e chegar a uma resposta, mas eu tenho certeza que com o estudo diário e determinação ele vai começar a acelerar seu processo de aprendizagem, reconhecer os elementos na frase com maior rapidez e conseguir resolver as questões.

De que forma a sra. vê o Inglês sendo usado no cotidiano dos aprovados? O idioma faz parte do cotidiano da maioria dos servidores públicos?

Eu creio que essa exigência de Inglês seja para ter, na administração desses órgãos, funcionários aptos a adquirir outros saberes e, se a língua inglesa for necessária para que esse conhecimento seja adquirido, o funcionário não tenha dificuldade em absorver esse conhecimento. Em áreas como a do BNDES isso é óbvio. Com a Tecnologia da Informação tudo muda com muita rapidez; chegam computadores novos, tecnologias novas e isso tudo vem com o Inglês. Para a Receita Federal, se você trabalhar, por exemplo, na aduana, o Inglês é extremamente necessário, já que este profissional atua diretamente com exportação e importação. Esses são só alguns exemplos, eu garanto que há um leque muito maior…

Se comparada a outras disciplinas, o segundo idioma não pode ser encarado como “decoreba”. A sra. acha que isso pode deixar o candidado mais nervoso na hora da prova, já que surpresas podem surgir durante o exame?
O conhecimento não pode ser decorado. Por isso eu nunca dou as respostas aos meus alunos, eu faço com que eles raciocinem e cheguem até ela. Eu noto que nesses momentos alguns alunos pensam: “Ah não! Lá vem ela dar uma volta enorme pra chegar ali!”. Por exemplo, ontem apareceu em um texto “insure” (assegurar): “The industry has to insure….” (A indústria tem que assegurar…) e eu perguntei aos meus alunos a classe gramatical. Todos responderam verbo. Mas se eu perguntasse: “O Rio Janeiro é a cidade mais bonita do mundo?” o que eles me responderiam? Todos falaram “sure” (com certeza). Quando eu falo “insure” vocês lembram de alguma coisa? Eles falaram, sim de “sure”. Então como nós transformamos isso para verbo? Se é uma afirmação, o “insure” é uma garantia. É assim que eu dou a resposta para eles. Às vezes é difícil porque o aluno fica acuado, não sabe mas também não me dize. Eu tenho que ir com jeitinho e tirar a pergunta dele e aí eu começo toda essa construção. O ruim é que o aluno que sabe essa palavra se desliga e isso vai cair em outras questões com palavras que ele pode não conhecer. Se desligando, não vai ter esse raciocínio que eu ensinei, diferente do aluno que não sabia muito e prestou atenção. Eu não estou ali pra fazer uma lista para eles decorarem, mas faço com que eles pensem e usem o pouco que eles têm em mãos para ganhar o texto.

Por Rafaella Simonini – RAFAELLA.SIMONINI@FOLHADIRIGIDA.COM.BR

Fonte: Folha Dirigida

 


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